Análise aborda que critérios devem ser adotados para definir que países estão mais preparados para iniciar seu distanciamento da produção e consumo de O&G
Alcançar as metas estabelecidas nos acordos climáticos é um compromisso de todos e o setor de óleo e gás tem contribuído nesse processo reduzindo suas emissões com investimentos cada vez mais robustos em inovação, tecnologia, eficiência energética, energias renováveis e soluções baseadas na natureza. Para auxiliar o setor na tomada de decisões com vistas a acelerar esse processo, o estudo “Transitioning away from fossil fuels in energy systems” – encomendado pela Secretaria Nacional de Mudança do Clima, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), apoiado pelo IBP e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), e realizado pela consultoria Catavento – será lançado no dia 2 de abril, em primeiro evento preparatório para a COP-30, no Rio de Janeiro.
O estudo visa auxiliar empresas e governos a definir critérios e aprimorar esforços que viabilizem ações para a garantia da segurança energética e também para a redução das emissões, além de apresentar para a sociedade reflexões sobre como o setor de óleo e gás pode contribuir para uma transição energética justa, equilibrada e equitativa.
“Queremos mostrar que também somos parte da solução para atingir as metas de redução de emissões e discutir com todos os atores públicos e privados a melhor forma de conduzir o processo de transição. Uma das reflexões trazidas pelo estudo está em reduzir a oferta de óleo e gás simultaneamente com a demanda para evitar impactos econômicos, sociais e de oferta de energia segura. Dessa forma faremos uma transição energética justa para todos”, ressaltou Roberto Ardenghy, presidente do IBP.
O levantamento avaliou onze países de sete regiões diferentes considerando cinco categorias de critérios com o objetivo de fornecer uma visão ampla sobre a indústria de óleo e gás, assim como sua contribuição para o desenvolvimento global. Um dos indicadores que reforça a relevância da atividade de O&G é o seu papel socioeconômico. Entre 2018 e 2022, por exemplo, cerca de 50% das receitas do setor (US$ 8,5 trilhões) foram destinadas aos governos, principalmente em forma de impostos.
A indústria também é uma grande empregadora. Só em 2023, o emprego no fornecimento de O&G alcançou 12,4 milhões de pessoas (18% do setor de energia), sendo 8,2 milhões em petróleo e 4,2 milhões em gás natural. No mesmo ano, o setor de óleo e gás respondeu por 51% da matriz energética global e cerca de 60% da geração global de eletricidade.
Os cenários avaliados apontam ainda para uma demanda considerável por óleo e gás com sua participação na matriz energética global nos níveis atuais nas próximas décadas. E como forma de reduzir a emissão de gases de efeito estufa durante o período de grande demanda, a indústria tem como estratégia investir cada vez mais em projetos para aumentar a eficiência energética nas operações e implementar em larga escala tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS). Nesse contexto, os países e empresas que produzirem petróleo com uma menor intensidade de carbono, como no Brasil, estarão melhor posicionados no mercado global de energia.