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Estudo “Transitioning away from fossil fuels in energy systems” foi lançado em parceria com IBP e ICS e produzido pela Catavento

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) realizou seu primeiro evento pré-COP-30, no dia 2 de abril, no Rio de Janeiro, com a presença de lideranças do setor, autoridades e especialistas. Na ocasião, foi lançado o estudo Transitioning away from fossil fuels in energy systems(Transição dos Combustíveis Fósseis nos Sistemas Energéticos). O documento foi produzido pela consultoria Catavento, em parceria com o IBP e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), para  contribuir com um debate mais amplo e assertivo das ações e o papel do segmento de O&G na transição energética e descarbonização nas próximas décadas.

O presidente do IBP, Roberto Ardenghy, analisa que a COP30 é uma chamada para debater estes temas. “Temos a oportunidade de trilhar o caminho das reduções de emissões e fortalecer nossa posição da descarbonização, além de termos uma geração de recursos para financiabilidade de programas de diminuição de GEE e substituição futura dos combustíveis fósseis”, analisa o executivo.

Segundo ele, o petróleo e gás são, hoje, responsáveis por 80% da energia gerada globalmente. “A evolução energética é uma maratona: precisamos de uma preparação, encontrar caminhos e procurar estratégias. A transição não pode ser um processo de desequilíbrio social – as 77 milhões de pessoas mais ricas do planeta emitem cerca de 16% de GEE. Rejeitamos a ideia de que o setor de petróleo e gás não deve participar de fóruns públicos, porque temos contribuições para a descarbonização e transição energética”, conclui.

Sobre o estudo, Ardenghy comenta que “Desde a COP28, em Dubai, quando começou nosso diálogo sobre o estudo ‘Transitioning Away‘, nossa análise tem um perfil acadêmico e bem fundamentado para promover informações para o debate necessário da transição energética global”

Victoria Santos (gerente de energia e indústria do ICS) ressalta todo apoio ao papel dos biocombustíveis, além de combustíveis mais avançados, e como devemos ampliar esta plataforma na cadeia de energia para apoiar a descarbonização global.

Alice Amorim (chefe da assessoria extraordinária do COP30) comentou que “este é o primeiro insumo de outros que virão, para que a gente comece a tirar do papel aquilo que foi acordado na COP28, em Dubai”. Ela indica que a transição ainda não é totalmente compreendida. “Qual é a escala que a gente precisa atingir? Tem uma série de dimensões no processo de transição e precisamos entender para conduzir da melhor forma possível”, completou.

Um chamado para a transição energética

Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento, apresentou o estudo e disse que grandes produtores e emissores de gases de efeito estufa, caso de Estado Unidos e Rússia, colocam em risco a gestão de US$ 350 bilhões em ativos.

Segundo a executiva, este fato ocorre por existir o risco de as economias destas nações serem fortemente impactada em um ambiente mais restrito de carbono no futuro próximo. Este cenário gera, especialmente, uma possível modificação na formulação de políticas públicas globais e é diretamente conectado com o acesso de poupança interna e fundos globais, que são essenciais para a financiabilidade da transição e podem ser encarecidas em termos de crédito por notas de agências internacionais de rating.

“Avaliamos no estudo os produtores e consumidores, que nos levaram ao contexto de 11 países em 7 regiões diferentes do planeta, para termos um equilíbrio e uma mostra robusta do mercado de O&G global relacionada com a transição energética”, avalia Clarissa. Ela defende que é essencial entender a demanda e oferta, além da necessidade de análise de cinco dimensões para compreender todos os processos de transição energética: relevância da produção de petróleo e gás (como contribui para pauta de exportação, riqueza e PIB em cada país), competitividade, segurança energética, perfil de emissões e resiliência social (como as mudanças devem ser organizadas e promovidas no longo prazo).

Descarbonização: compromisso do setor privado

A diretora executiva de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, Sylvia Anjos, destacou a posição diferenciada do país no cenário global. “No Brasil, o setor de energia (considerando transportes e outros) responde por 20% das emissões. Quando se olha mais especificamente para exploração e produção de óleo e gás, a nossa indústria responde por apenas 2% das emissões”, observou a executiva.

Flavio Rodrigues (Vice-presidente de Relações Corporativas e Sustentabilidade de Shell) comentou que a empresa produziu um estudo durante oito meses em 2024 e concluiu que é necessário maior sinergia com as resoluções do Acordo de Paris. “O Brasil poderá ser um líder da transição energética e ser o primeiro a alcançar o netzero em 2050. Temos debatido o impacto da Inteligência Artificial nos próximos anos em virtude do aumento da demanda por energia neste campo da tecnologia”, avalia.

Andres Guevara (presidente da bp no Brasil) aponta que a empresa tem foco em soluções de baixo carbono – com etanol e SAF – que estão alinhados com operações de petróleo da companhia em estágio de descarbonização. “O Brasil é um país privilegiado com um petróleo no pré-sal muito competitivo, renováveis e uma política clara para abrir alternativas de tecnologias verdes, por meio do programa Combustível do Futuro”, analisa.  Olivier Bahabanian (presidente da TotalEnergies) analisa que devemos descarbonizar o setor de petróleo e gás em escala e maior velocidade.

Viviana Coelho (gerente executiva de mudança climática da Petrobras) indica que o petróleo é um insumo que está presente na conjuntura do netzero para as próximas décadas. “Devemos questionar como devemos nos inserir na cadeia de energia global e como podemos analisar a evolução energética. Precisamos de dados para avaliar todo este cenário”, complementa. Paulo Van der Ven (diretor de Operações e Logística da Equinor Brasil) analisou que a jornada de transição deve ser aprofundada e estar alinhada com o desenvolvimento de novas tecnologias verdes e rotas de desenvolvimento para inovação em descarbonização.

Fernanda Scoponi (gerente de desenvolvimento de negócios renováveis da TotalEnergies) analisa que o portfólio corporativo estará mais direcionado para energias sustentáveis e reforçou que o Brasil tem políticas bem estruturadas para produção de petróleo, proporcionando segurança jurídica aos investimentos de longo prazo. Willian Nozak (gerente executivo de gestão integrada de transição energética da Petrobras) analisou que a transição energética é um compromisso na Petrobras. Ele lembrou que o Diesel R, combustível renovável, que tem conquistado escala no mercado. Nozak ainda citou que é essencial a modelagem de um sistema de armazenamento e captura de carbono (CCUS) em projetos dedicados onshore e offshore.

Transitioning away from fossil fuels in energy systems